Lá no face

Amigos leitores que seguem este blog, vou contar uma coisa rápida:

E eu não quero que as histórias do Levi se percam no tempo. Quero guardar e aqui era o meu potinho. 
Só que o tempo é curto, o dia-a-dia é todo atrapalhado e as coisas não saem da maneira que a gente pensa que vai sair. 
Então fica mais fácil escrever lá no facebook.

Por um tempo, usei meu perfil pessoal para reproduzir nossas conversas. Agora resolvi que vou usar a página do blog pra fazer isso.

Então, se você ainda não curte, vai lá.
Siga, comente, compartilhe, conte suas histórias também.

O link tá aqui, ó: Para Levi ler

Te espero lá!

Beijos

Ju

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Diálogos íntimos

Diálogos íntimos:

– Mãe, o que acontece se eu cair dentro da privada?
– Você vai molhar o bumbum e eu vou tirar você daí de dentro.
– Não, mãe, se eu cair, a descarga vai me levar e eu não vou mais ter eu.
– Como assim, você não vai mais ter você?
– A descarga vai me levar, igual leva meu cocô e eu não vou mais ter eu, não vou mais poder ser amigo do McQueen, da Manu, do Zion, da vovó Ina. 
– Não, Levi, quem te falou que a descarga vai te levar? Eu vou pegar você.
– Não, mãe, você só tem duas mãos e meu cabelo vai estar molhado…
– Ai, Levi, que assunto, credo, faz logo esse cocô.

Este post não é sobre religião

[Importante frisar que este post não é sobre religião]

– Filho, vem abrir esta caixa da mudança comigo?
– Mas esta caixa só tem jornal, mãe.
– Não, as coisas estão embrulhadas no jornal. Dentro tem coisa. Vamos descobrir o que?

Ele, três anos, achou que estava abrindo uma caixa de tesouros.
Desenrola jornal daqui, desenrola jornal dali, sai um elefante da sorte sem uma orelha, duas bolas decorativas feitas de conchinhas do mar que eu devo ter trazido da Bahia ou de Camburi, uma caixinha de marchetaria, provavelmente comprada num bazar de gente que faz, e uns Santos.

Voltei com o elefante e as bolas com conchas coladas com cola quente pra caixa, separei a caixinha bonitinha e abri os Santos.
Pensei: coitados, gente, dentro desta caixa… Deve ser por isso que eu fico girando em volta do rabo. Castigo.

– Mãe, quem é?
– Esse é São Judas, filho, amigo de Jesus.
– Mas, mãe, Judas não era inimigo de Jesus?
– Não, Levi, este é outro Judas. Esse era amigo.

– Hmmm, tá… E essa?
– Essa é Nossa Senhora, mãe de Jesus.
– Mas a mãe de Jesus não é Maria?
– Então, é Maria, mas é também Nossa Senhora.
– Ela é nossa, né, mãe, se tá na nossa casa, é nossa.

– E essa com este bebê no colo?
– Também é Nossa Senhora com Jesus bebê.
– Mas, mãe, essa Nossa Senhora é diferente daquela.
– É porque tem várias Nossas Senhoras, Levi. Tem Aparacida, das Graças, Auxiliadora….
– Então, ele tinha um monte de mãe?
– Não, só Maria, mas que também era Nossa Senhora.
– E eu só tenho uma mãe, você.
( embolou, parte pro próximo jornal embrulhado.)

– E esse, quem é? Ele também tem bebê no colo.
– Esse é São José, pai de Jesus.
– Ô, mãe, o pai de Jesus é Deus.
– Levi, o pai de Jesus é José, e esse bebê é Jesus.
– E Deus? Então Jesus tem um monte de mãe e dois pais?
– Ai, Levi, sei lá, Deus é pai de todo mundo.
– Não, meu pai é Matheus. E você sabia que Jesus tá morrido? Jesus já tá morrido, mãe. Me falaram.

– Levi, vamos ali contar quantos carrinhos você tem?
– Vamos!

E hoje é sexta-feira santa, ontem eu fiz molho de almôndega, sobrou, tá na geladeira, não sei se esquentamos e comemos, pra matar isso logo ou congelo. O Papa falou que o importante é o que sai da boca, não o que entra. Com esta declaração, acho que ele nos redime do pecado de não poder comer carne hoje, né? Ou não.

Proteloucos, parem.

Eu gosto de cachorro.

E eu sou azarada pra cachorro. O primeiro, Dino Chuchu Bolinha, sim, ele tinha três nomes porque cada filha escolheu um, era um poodle. Talvez fosse um poodle, nunca saberemos, porque meu pai deve ter comprado na Praça da República e não tinha essa coisa de certificado, pedigree. O moço falou “é um poodle” e meu pai acreditou.

Eu tinha uns cinco anos e pavor de cachorro. Dino cresceu e virou, praticamente, uma ovelha. Eu corria dele e ele corria pra mim. Era assustador.

Depois disso tivemos vários cachorros: Snoopy, Ringo Star, Ziggy Marley, Bob, Toddy, Tieta do Agreste, Nero, Boris, Igor, Katucha, Brad Pitt, Nega, Neguinha, Pirata, Brother. Era muito cachorro, impossível lembrar o nome de todos. Fui me acostumando e perdi o medo. Ficavam todos lá no sítio, tirando Ziggy e Tieta, que conseguiram convencer minha mãe e moravam lá em casa.

Mas como disse, sou azarada pra cachorro. Eles sempre morreram de forma trágica, nunca de morte morrida. Um comeu porco-espinho, a outra ficou presa no arame farpado, o outro foi embora com o caseiro pra nunca mais voltar, teve quem engoliu veneno do vizinho, o que a Nega arrancou uns pedaços e ele não resistiu, Igor que passou a ter ataques epiléticos até cair duro, Tieta que foi pro veterinário e de lá nunca mais saiu….

Enfim, o único sobrevivente nestes trinta e poucos anos é Buiú. Buiú já comeu porco espinho, já foi atropelado, já levou mordida, já deve ter comido veneno do vizinho e continua firme e forte. É quase um highlander do mundo animal.

Mas isso é pra dizer que Levi tem medo de cachorro. Ele tem três anos, tem medo de cachorro e é só medo de cachorro, não é desvio de caráter. Eu tenho medo de borboleta e sou absolutamente normal.

Por mim, tanto faz ele ter medo de cachorro ou não. Ele não é obrigado a gostar de nada, nem de cachorro, nem de alface, nem do amiguinho da classe, nem de pomba, que ele chama de bomba. Ele não pode maltratar, mas pode não gostar.

Só que pelo fato dele não gostar de cachorro, eu já quase fui linchada duas vezes. Linchada, modo de dizer.

A primeira tentativa de arrebentarem minha cara foi quando a gente adotou um cachorro na esperança de Levi perder o medo, assim como papai e mamãe fizeram com Dino Chuchu Bolinha. Só que o cachorro mordeu a cara do Levi, a cabeça do Pedrinho e antes de ter que enfiar uma criança no carro pra ir tomar ponto no hospital, devolvi o bichinho. E ouvi frases do tipo:

– Seu filho deve ter provocado. Você não teve paciência. O cachorro estava deprimido. Tem certeza que Levi não fez nada, não puxou o rabo, beliscou, colocou o dedo no olho, comeu a ração dele? Tem certeza? Que crueldade da sua parte fazer este animal ser abandonado pela segunda vez.

Sim, tenho certeza. Não, eu não abandonei o animal, eu devolvi para a pessoa que o achou.

A segunda tentativa de me colocarem amarrada em Praça Pública foi na semana passada. Estava com a pequena criança de três anos numa loja de comida. Lá dentro, uma moça com um cachorro. Na loja que vende comida. O cachorro veio na direção do Levi. Levi assustou, gritou, chorou e pulou no meu colo. Como eu não estava de tpm, pedi educadamente para a “mãe” colocar seu “filho” do outro lado, pra gente poder passar. Pronto, foi o suficiente para quase estourar a terceira guerra mundial.

– Mas ele é manso.
– Mas eu não te perguntei sobre o temperamento do seu cachorro. Só te pedi licença.
– Eu não vou sair daqui e nem mover meu cachorro. Ele é manso.
– Querida, eu preciso passar com meu filho. E seu cachorro está no meu caminho e isso é uma loja de comida de humanos, não é a Cobasi.
– Você é ridícula, seu filho é ridículo, eu sou bem-vinda aqui, sou amiga do dono, meu cachorro tem passe livre, é manso e se você não está satisfeita, saia você da loja, porque meu cachorro não vai sair.
Nisso já tinha entrado outra pessoa na loja e feito o mesmo pedido pra mocinha. Em vão.

Eu falei pro dono do estabelecimento estornar meu cartão, com o valor da minha compra, sugeri que ele abrisse um pet shop e fui embora. Com raiva, triste, com vontade de chorar, de cuspir na cara daquela menina (se alguém quiser argumentar contra este texto, não use esta parte do querer cuspir na cara dela, porque eu queria mesmo, mas não ia fazer isso) e sem entender nada. Por que esta menina não podia colocar o cachorro dela do outro lado pra eu passar? Eu não falei pra ela tirar o cachorro da loja. Só pedi pra ela mudar a guia da coleira pro outro pulso.

Meu apelo: Proteloucos de animais, parem com este exagero. Amem seus bichinhos, sejam protetores, adotem, façam campanhas,chamem de meu nenêm, invadam o Instituto Royal, ofereçam todo amor que existe dentro de seus corações a eles, tratem como um filho, mas não obriguem que o resto da população pense como vocês. Ainda existe gente que prefere gente, respeitem isso, assim como a gente respeita seus gestos honrosos. Estas suas atitudes só nos afasta da causa animal, tão linda e só nos faz achar que vocês tem sérios problemas emocionais e psicológicos.

Obs.: Proteloucos =protetores obsessivos e radicais
Protetores = pessoas bacanas que dedicam parte do seu tempo, do seu amor e do seu dinheiro para ajudar os animais.

Eu ia comprar um saco de bala de coco gelada. Não estou grávida mas queria comer bala de coco gelada. Acabei indo pra casa e não comprei a bala de coco gelada até agora. Outro dia eu compro, em outra loja.

Buiú, tomabado pelo Patrimônio Histórico.

Buiú, tomabado pelo Patrimônio Histórico.

Recorte e cole

– Cadê a lição de casa, deixa eu ver?
– Tá aqui. Tenho que recortar e colar 3 animais do cerrado, dos campos, da caatinga e do Pantanal.
– De novo essa história? Semana passada foram árvores da primavera, verão, outono e inverno. Seu irmão, outro dia mesmo, tinha que recortar e colar coisas que Deus criou. Achou logo um dinossauro.

– Filho, vai na cozinha perguntar pro seu pai se Deus criou os dinossauros.
– Ju, se os dinossauros viveram há milhões de anos atrás, como pode ter sido Deus quem criou?
– Não sei, por isso pedi pra ele perguntar. Não sei em que ano Deus nasceu. Jesus eu sei, mas Deus eu não sei.
– Deus e Jesus é a mesma coisa.
– Não é, não. Deus é pai de Jesus. Não é?
– Ah, filho, leva o dinossauro e pergunta pra sua professora.

Caatinga, Cerrado, Pantanal, Campos. Campos, que campos? Do Jordão? Bom, jacaré, tuiuiú, onça pintada, tucano, macaco, sucuri, tem vários.
– Cadê as revistas?
– Estão ali. Tem Casa Claudia, Casa Vogue, Minha Casa, Construir por menos, Decorar com pouco e tem também umas de faça-você-mesmo que eu comprei quando encasquetei de fazer crochê.
– Ju, revista de decoração?
– Ou pega aquelas que seu pai compra que ensina a ganhar bíceps, tríceps, tipo Nova versão masculina.
– Ô, ninguém vai recortar as minhas revistas, não. Eu vou usar, vou emagrecer, ficar forte, vou seguir as dietas.
– Aqui, achei três veados e um macaco. Cadê as tesouras desta casa? Vocês somem com as tesouras. Cadê a folha que arranquei que tinha um sapo. Vê se tá embaixo do sofá. Cadê esse sapo, gente?
– Três veados? Não, Ju, um só tá bom. E onde eu colo? Onde tem veado?
Pensei em responder que em todo canto tem, mas lembrei que já vi alguns no sítio, aqui mesmo no interior de São Paulo. Mães com filhotinhos, uma fofura.
– Acho que no Cerrado. Cola no cerrado. Mas, escuta, sua professora não ensinou? Passou a lição e não contou onde tem veado?
– Vamos ver no google?
– Vamos.
– E o  macaco?
– Macaco tem no Brasil todo. Cola em qualquer lugar e vamos dormir.
– Mas eu ainda não acabei a lição.
– Achei um quati. Procura aí na internet onde tem quati.
– Na Argentina.
– Vamos dormir. Isso não é hora de fazer lição. Amanhã você imprime umas araras, uns micos, uns tamanduás, tatu bola.
– A professora falou que não pode imprimir.
Então, amanhã a gente pensa.