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Lei de Murphy

Hoje tem Criança Esperança,  projeto lindo, apesar de que “no momento não vou estar podendo fazer minha doação, senhora”.

Mas o que eu queria saber mesmo é porque eu peno tanto pra tirar a minha criança esperança, Levi, da cama durante a semana, pra levar pra escola e hoje, sábado, ele acordou às 8 da manhã?

Levi super puxou a mim. É da turma dos que dormem tarde e acordam tarde, por isso a opção de horário da escola dele é 10 da manhã. Beleza, pensei, acorda às 9 e às 10 está lá com folga. Nove da manhã é um bom horário pra levantar.

Não é bom. Tem dias que só consigo entregar o garotinho pra professora depois do meio-dia, porque ele dorme, dorme gostoso, dorme na santa paz de Deus, até umas 11, 11 e meia, e a palhaça aqui tem pena de acordar neste frio. E entrega pra professora com duas horas de atraso, morrendo de vergonha.

E hoje, SÁBADO, às 8;40, ele gritou do quarto dele:

– Mããããe, já tá de dia, já tá na hora de acordar, né?

Eu, zonza, na cozinha, passando café, sai correndo e rezando ao mesmo tempo, na ponta dos pés, e falei baixinho, no ouvido dele:

– Não, filho, tá de noite ainda. Dorme mais, por favor. Quando ficar de dia, eu te chamo.

Porque eu preciso tomar meu café recém passado, sem criança do lado, correndo, espalhando brinquedo pelo tapete, falando que quer ver Carros pela 547º vez. Quero tomar meu café sozinha. Sem criança. Porque mãe também é gente.

Tô digitando devagar, tô quase sem respirar, porque qualquer barulho pode estragar meus planos.  Me deu vontade de tossir, mas eu segurei. Quase engasguei, podia até ter morrido, mas Levi não pode acordar agora.

Dorme mais, Levi, por favor. É só isso que eu preciso agora. Seu pai foi trabalhar, a casa está quieta e eu quero ficar sozinha na sala. Pra tomar meu café fresquinho.

E sem ter que ouvir Tow Mater gritar no ouvido de Relâmpago Mcqueen “êêêê,  lasqueira”, logo cedo. Mamãe te ama, mas por favor, quebra essa.

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Ai que preguiça deste nome

Eu adoro Casa Brasileira, que passa no GNT. Adoro arquitetura, decoração, e lá sempre mostram a casa de algum artista, o que pra mim é um prato cheio. Se você leu este post, vai entender o motivo.

Num dos episódios alguém falou que a casa é extensão da nossa vida, que chegar em casa depois de um dia de trabalho e ver uma casa que você gosta te faz feliz, faz sua vida ser feliz. Achei aquilo poético e ao mesmo tempo comecei a refletir e bingo, acho que descobri porque não sou tão feliz assim.

Eu não gosto do meu apartamento. Eu tive, por uns quatro anos, um blog de decoração de sucesso, sei todas as dicas pra ter um apartamento bacana, mas não é isso, é que nosso santo não bate. Eu não gosto de morar aqui. Ponto.

E acho que começa pelo nome da rua: Edison. Assim com i. Não é Edson, é Edison. Só Edison, sem sobrenome, sem nada. Se fosse Thomas Edison, Edson Arantes do Nascimento, mas não, é Edison. Quem é você? Edison de que? De onde? O que você fez pra virar nome de rua? Cadê sua mãe, seu pai?

Todo mundo tem nome e sobrenome, mas você não. Você é só Edison e com i. Podia ser Edson, pelo menos.

Eu sou curiosa. Se eu morasse na Oscar Freire, eu ia pesquisar quem foi Oscar, saber o que ele fez, etc. Quando minha vó morava na Nove de Julho, eu fui na Barsa ver o que aconteceu neste dia. Minha outra vó morava na Barata Ribeiro, fui tentar descobrir quem era essa barata que tinha nome e sobrenome.

Aí que eu passei vinte anos morando numa rua chamada Pintassilgo. Pintassilgo é um passarinho. Nome lindo, pintassilgo. Mas não é papagaio, canário, é um pintassilgo, menos comum.

E era só precisar fazer um cadastro numa loja, na recepção de um médico que já começava:

– Pinta o que?
– Pinto o que?
– Pinto Siva?
– Pinta Silvio?
– Pinta Çilgo?
Se eu estivesse de bom humor, eu corrigia, soletrava, se eu não estivesse num bom dia, eu deixava o Pinto Siva lá e dava graças a Deus por nunca chegar uma mala direta na minha casa de uma lugar onde trabalhava uma semi-analfabeta.

Mas voltando ao Edison, a interrogação que as recepcionistas fazem no meio da testa quando eu falo que moro na Rua Edison é quase igual a que elas fazem quando falo que meu filho chama Levi, só Levi, com i. A história do Levi com i está aqui.

Elas ficam esperando eu terminar a frase, rua Edison de que, senhora?-  mas não tem final, é só Edison mesmo, com i, e elas acham que eu estou fazendo alguma piada ou estou de má vontade, mas ele não tem sobrenome. Ele é um ninguém.

E eu preciso sair deste apartamento, ir para outro que seja numa rua que tenha nome e sobrenome, que chame rua açucena, que é uma flor, olha que graça, ou que tenha o nome de cidade, alguma coisa que faça sentido ou que pelo menos tenha algum título vistoso, nobre, tipo Visconde de Pirajá. Mas Edison, não mais, por favor.

Nota: Para saber quem foi Visconde de Pirajá, clique aqui e para saber onde fica a rua Visconde de Pirajá, que é pra onde eu queria que o caminhão de mudança estacionasse, clique aqui

Dica pós PEC das domésticas

Aí alguém te indicou o blog, falou que é de leitura, você chega aqui e dá de cara com uma dica de dona-de-casa?
E pensa: faça-me o favor, né, minha, filha, eu vim aqui ler texto e não saber de dica de pobretona que não empregada.

Calma, não foge, não, que um dia você pode precisar. A sua ajudante do lar pode engravidar, ou achar que vale mais do que você pode pagar, sua faxineira pode fazer igual a minha, que resolveu ir a nado pra África, a vida prega surpresas, e é bom a gente estar preparado.

E se você é homem, a dica é boa pra você também.

Eu moro num apartamento que só cabe um varal. Um dia eu vou contar sobre meu apartamento e vocês vão entender porque sou uma pessoa revoltada. E não adianta dizer que tem gente que não tem onde morar porque este argumento não me convence.

Enfim, eu moro num apartamento que só cabe um varal. Tamanho P. Moro com mais duas pessoas e uma dela tem quase três anos e tem dias que suja três mudas de roupa.

E não dá. Ou você lava as roupas do pequeno ou lava as roupas dos adultos. E acende uma vela pra fazer sol e ventar ao mesmo tempo, porque senão não vai secar.

E depois tem que passar, né? Deus, me dê dez privadas pra limpar, mas não me dê uma penca de roupa de passar. Como detesto, como não vejo a hora do mundinho fashion dizer que é cool sair amassado.

Bom, vamos a dica, que eu acho que serve para as casadas, solteiras, homens, desquitados, meninos que vem fazer faculdade sem mamãe, senhoras, acho que serve pra todo mundo:

Chama Lavanderia. Dãããããr. Não é lavanderia normal, não. Isso até minha bisavó já sabia.

É uma lavanderia que você só usa para secar as roupas. Você lava na sua casa, enfia numa sacola e leva pra secar lá. Sai tudo quentinho, você dobra, chega em casa e guarda. É o fim do varal, do ferro de passar e da encheção de saco desse servicinho insuportável que é pendurar roupa no varal e achar o pregador que, pelo menos aqui, eles sempre somem.

Meu esquema é assim: ( e você adapta a sua rotina)

Toda segunda e quinta eu lavo todas as roupas sujas, lençóis, toalhas. Bato uma, duas, três máquinas e levo pra lavanderia, naquelas sacolas recicláveis de mercado.
Na secadora deles cabem 15 quilos de roupa, então eles, no caso, o japonês da lavanderia, soca tudo lá dentro e depois de meia hora, tá tudo seco e quente. Se eu tiver no meu dia de sorte, a mocinha ajudante, tira da máquina, dobra tudo bonitinho e eu pago e pego. Se o japonês tirar, ele vai socar tudo na sacola e aí eu sento no chão da lavanderia, dobro tudo e vou pra casa feliz, com as roupas limpas e “passadas”. E nove reais mais pobre. Porque 15 quilos de roupa por meia hora na secadora do homem custa nove reais. Se tiver que deixar 45 minutos, sobre pra 12 reais.

Essa descoberta, pra mim, foi equivalente a quando Graham Bell descobriu o telefone.

Acredito que várias lavanderias tenham este serviço e que os preços variem um pouco, mas mesmo que custe o dobro, vale muito a pena.

A lavanderia que eu uso é em Moema ( Sou louca por ti, Moema, nunca vou te abandonar), e fica na Av. Macuco, entre as ruas Canário e Inhambu, do lado direito da calçada, parede com parede com a Drogaria SP que tem na esquina.

Pra quando você volta de viagem, cheia de roupa suja, também vale a pena. Eu acho que vale. Minha vida mudou depois que virei freguesa lá da lavanderia do japonês.

Aí você me pergunta: não é mais fácil comprar uma secadora de roupa? Minha filha, se aqui mal cabe um segundo varal, onde eu vou colocar uma secadora? Onde?

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Change the world

Vídeo

Levi, este post é especialmente pra você. Quando eu tinha sua idade, isso chamava anúncio, depois virou comercial, propaganda e os mais descolados chamam de filme. E sempre que passa na TV você corre pra frente dela, espera acabar e faz o círculo com sua mãozinha, todo desengonçado.
Mas não foi o banco que inventou a música, foi o Eric Clapton. Não sei se quando você ler, ele ainda vai estar vivo. Qualquer coisa, você pesquisa em algum site de busca. Mamãe foi num show do Eric Clapton uma vez. Não sou super fã, mas gosto.

E a letra completa tá aqui e é pra você, filho:

If I could reach the stars
I’d pull one down for you
Shine it on my heart
So you could see the truth
And this love I have inside
Is everything it seems
But for now I find
It’s only in my dreams

That I can change the world
I would be the sunlight in your universe
You would think my love was really something good
Baby, if I could change the world

If I could be king
Even for a day
I’d take you as my queen
I’d have it no other way

And our love would rule
This kingdom we have made
Till then I’ll be a fool
Wishin’ for the day

That I can change the world
I would be the sunlight in your universe
You would think my love was really something good
Baby if I could change the world
Baby if I could change the world

I could change the world
I would be the sunlight in your universe
You would think my love was really something good
Baby if I could change the world
Baby if I could change the world
Baby if I could change the world

Pra ver o vídeo na voz primorosa de Eric Clapton, com tradução, clique aqui

Sobre cachorros, cobras e lagartos

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Eu faço parte de um grupo no facebook muito bacana, só de mães reais. Não tem nenhuma cretina lá que se gaba  mente  que o filho come de tudo, dorme pontualmente às oito, não dá chilique no shopping, na frente dos outros. Lá é verdade nua a crua, doa a quem doer. Só faz parte do grupo gente legal.

E hoje o papo era sobre prender ou não o cachorro quando o filho do amiguinho, que tem medo de cachorro, chega na sua casa. Papo civilizado, cada uma com sua opinião, tudo como sempre é, com respeito.

Bom, Levi tem pavor de cachorro. E ele não tem nem três anos. E cachorro pra ele deve ser um monstro de sete focinhos e vinte patas. E cinquenta dentes de tubarão. E isso limita um pouco nossa vida social, porque se você tiver cachorro na sua casa e ele for ficar solto, nós não vamos na sua casa. Mas não é isso que eu quero contar.

É que eu lembrei de uma história. Eu tenho pavor de borboleta. Pavor, não, odeio mesmo.
Ah, é linda? Só se for pra você. Pra mim é um monstro de sete focinhos, vinte patas…. Se for mariposa, então, você vai me ver gritar no mesmo grau de decibéis que eu grito quando vejo uma barata. É alto o grito, é muito alto. Não me coloque no mesmo ambiente de uma borboleta/mariposa que eu sou capaz de morrer.

Pois bem, eu tenho medo de borboleta, nunca gastei um centavo em terapia pra saber o porquê, assim como não gastarei um minuto do meu dia pra saber porque Levi tem medo de cachorro.

Mas eu não tenho medo de cobra. E pre-pa-ra , que agora é hora daquele momento que o amigo trouxa fala: humm, gosta de uma cobra hein, safadinha. Essa piada é da mesma família daquela do carnaval: gosta de ver a Mangueira entrar…. É sem graça nenhuma.

Eu tenho medo de borboleta e não tenho medo de cobra. E outro dia, passeando na Benedito Calixto, tinha um homem passeando com uma cobra enrolada no pescoço. Lá fui eu, a curiosa pedir pra ver, o homem adorou,  porque uma pessoa que passeia com uma cobra numa praça lotada quer aparecer, né, se empolgou, enrolou aquele bicho no meu pescoço, todo se achando e eu:
– Matheus, pega o celular, tira uma foto, vai, rápido – me achando também a corajosona da praça.
Levi ficou olhando, a mãe, a cobra, o pescoço da mãe com a cobra enrolada, achou engraçado, mas na verdade não entendeu nada.

E lá foi a foto pro Instagram e pro facebook.

As reações foram as mais variadas.
– Você é louca
– Que coragem
– Uau
– Eca
– Que linda ( não perguntei se eu ou a cobra)
– Que nojo ( não perguntei se de mim ou da cobra)

Enfim, as pessoas não gostam de cobra, tem medo, nojo, aflição. Eu não. Acho normal. Acho até sem graça porque não late, não abana o rabo. Não sendo venenosa, nem sendo uma sucuri gigante que vai te estrangular e te engolir viva, a cobra é inofensiva.

Mas voltando ao cachorro, tem gente que é xiita neste tema, né?
Um dia eu presenciei o fim de uma amizade, um quase assassinato porque uma mulher queria comprar um cachorro e a outra sugeriu que ela adotasse. Mas a amiga não queria adotar, queria comprar. Era pra filha, ela queria um poodle, um maltês, um doberman, não lembro, mas ela não queria adotar um cachorro. Direito dela.
A amiga xiita bateu na mesa, chamou a outra de desumana, ignorante, falou ” te pego lá fora” ( mentira, isso ela não falou), mas a conversa entrou no rumo de adoção de gente, que era um absurdo fazer inseminação com tanta criança pra ser adotada e tal. Eu, na mesa do lado, fiquei tonta. A amizade, com certeza acabou. E eu até hoje não sei se a mulher comprou ou não o cachorro.

Mas a grande verdade é que ( xiitas, peguem as pedras e podem começar a atirar em mim) não gostar de cachorro, para os xiixtas cachorreiros é quase um desvio de caráter. Algumas pessoas questionam o fato do Levi ter medo de cachorro como se isso tivesse que ser levado para um psicólogo analisar. Ele não gosta, ele tem medo, ele é uma criança. Se ele quiser gostar um dia, ótimo. Se ele quiser ser como eu, que com 38 anos, não gosta de borboleta, não tem problema.

A solução é muito simples e vem daquele exemplo da vovó: meu limite acaba onde o seu começa. Se você tem medo de cobra, eu não vou jogar uma cobra no seu colo. Se meu filho tem medo de cachorro, você não vai jogar seu cachorro no colo do meu filho. É muito simples. Nem você é obrigada a conviver com meu filho, nem meu filho é obrigado a conviver com seu cachorro e nem ninguém na Praça é obrigado a conviver com a cobra do homem.

E cada casa tem sua dinâmica. E é um direito todo seu não querer prender seu animal, seja ele um cachorro, um gato, um ganso, uma cobra. E é um direito da mulher querer comprar um cachorro ao invés de adotar. Ou resolver adotar e não comprar. Cada um faz o que quer. E o que os medos permitem.

E amiga do grupo do facebook, que lançou o tema, tô com você, mesmo que meu filho nunca vá na sua casa. Se você não quer prender seus bichinhos, não prenda. A casa é sua. Quem manda nela é você.

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Hmmm, mais gosta de uma cobra, hein.

Casa arrumada

Ontem eu escrevi  um post sobre a zona bagunça que é minha casa e hoje minha amiga Rosa Maria me mostrou este texto.  Não pesquisei pra saber se é mesmo de Drummond, mas o texto é uma graça.

CASA ARRUMADA Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida…
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto…
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos…
Netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar.

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fonte: Casa e Jardim