Dicas para o fim-de-semana

Hoje é dia de dicas. Tô sem dicas de passeios, mas deixo três ideias pra um fim-de-semana de primavera.

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Latinhas para organizar lápis, canetinha, giz de cera das crianças ou até os suas próprias canetas.
Para colar uma latinha na outra, o melhor é usar fita dupla face daquelas mais fortes, e as latinhas você reaproveita de lata de tomate, leite em pó, ervilha…….
Pra incrementar, papel de presente bonitinho e papel contact. Ou até um retalho de tecido e cola branca.

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Túnel e pista de caixa de papelão. Mais fácil impossível. Nem precisa explicar como faz, né?

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Usar um escorredor de pratos para organizar os trabalhos escolares das crianças, suas fichas, livrinhos, enfim, o que sua imaginação quiser.
E no porta talheres, deixar lápis e canetas a mão.

Estas e outras dicas estão no meu Pinterest. Te espero por lá!

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Mais um manual, não, obrigada

Vi hoje no facebook, a edição especial da Superinteressante:

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A legenda da foto diz exatamente isso:

Atenção, papais e mamães (e futuros pais e mães) de todo o Brasil!

Esta é a capa da edição especial “Filhos – Manual do Proprietário” – um guia incrível com informações sobre gestação, infância e adolescência.

Destaques:

+ Tipos de parto
+ Como ensinar o bebê a dormir
+ Os terríveis 2 anos
+ Filhos órfãos de pais vivos
+ Castigo funciona?
+ Quem precisa de irmãos?
+ Experimentos nerds para fazer com o seu filho
+ Você é control freak?
+ Como falar de sexo com o seu filho?

Bônus:

Veja 5 dicas para fazer seu filho…
… comer direito
… largar a chupeta
… largar as fraldas
… querer tomar banho
… poupar dinheiro
… não pegar gripe
… arrumar o quarto
… te ouvir
… escolher uma profissão.

Já nas bancas.
R$ 13.

Por favor, chega de manual sobre filhos. Por favor! Filho não tem manual, mãe e pai não tem manual. Pelo amor de Deus! 

Eu vou acabar comprando, isso que é pior. 

 

Perdas e ganhos

Amanhã faz um ano que a gente, nossa família, participou do jogo “Perdas e ganhos”.

Era 27 de setembro de 2012.
Papai completava 76 anos. Saúde de ferro, apesar dele achar que não e viver fazendo mil exames.
Papai é daqueles que não passa uma semana sem fazer um tour na farmácia ou ir a uma consulta médica. Cada semana ele inventa uma suposta doença diferente, seja na tireóide, no intestino, na coluna. Carrega uma sacola de remédio pra onde vai. Se você precisar de um remédio pra qualquer coisa, procura naquela sacolinha, que você vai achar.

Imagina você, o coração passou por funilaria completa no começo do ano passado, duas safenas, uma mamária, tá zero bala. Melhor que o meu e que o seu, se bobear. Mas ele não se conforma, sempre procura uma doença nova, um exame novo, um remedinho pra curar alguma coisa. Conhece cada salinha do laboratório melhor que a tia da limpeza.

No ano passado, quando ele fez 76, não lembro porque cargas d´agua deixou pra comemorar seu aniversário no dia seguinte. Era pra ter um lanche de comemoração na casa da minha irmã, mas por algum motivo, não teve. Acho que ele estava viajando. Nós ligamos, demos os parabéns e o dia seguiu como todos os outros. 

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Vovô e os netos na festa junina deste ano. Faltou o Sammy, o neto descaradamente preferido na foto. Certeza que Sammy estava fazendo alguma coisa mais interessante, jogando algum joguinho no celular.

Leva filho na escola, faz almoço, dá um tapa na casa, busca filho na escola, etc, etc, senta pra ver um capítulo imperdível de Avenida Brasil.
Opa, será que é hoje que Carminha dá uma surra na Nina? Vamos acompanhar, não podemos perder um dia da melhor novela dos últimos tempos.

Toca o telefone:

– Mas quem é o cretino que liga na casa dos outros na hora de Avenida Brasil? Só pode ser algum telemarketing dos infernos.

Era minha irmã. Coisa boa não era. Assustei:

– Ju, senta, porque eu tenho uma notícia horrível pra te dar.
Eu já estava sentada, estava no sofá vendo novela. Pensei que algo poderia ter acontecido com meu pai ou com minha mãe. Mas seria muito injusto acontecer algo de horrível no dia do aniversário do meu pai.

– O Fabio morreu.

Assim, na lata. Nada de ” o gato subiu no telhado”.

Mas como? Se hoje era dia de comemorar a vida, celebrar mais um ano do nosso hipocondríaco/doente imaginário preferido?

– Ju, morreu. Tá morto.

Meu chão abriu, eu devo ter ficado pálida, porque Matheus arregalou os olhos daquele tamanho, já prevendo que vinha desgraça do outro lado da linha.

Ele não morreu de morte morrida nem de morte matada. Morreu de acidente de moto, voltando de mais um dia de trabalho. Não voltou pra jantar. Morreu de trânsito, uma modalidade de morte que aumenta cada dia mais neste país.
Não estava bêbado, não estava empinando sua moto, como tantos idiotas fazem, não estava fazendo nada de errado. Estava voltando pra casa, pra jantar com a mulher e o filho.

A dor vinha de todos os lados: do susto, da notícia, do tentar entender e assimilar alguma coisa, de pensar em como a vida é frágil, de falar a frase “por que, Deus?”

Mas a dor vinha também de saber que minha irmã estava sofrendo, desnorteada com a morte do cunhado, que o marido dela estava recebendo a notícia de que o irmão havia morrido, que a sogra dela ia saber em instantes que tinha perdido o caçula, que a mulher dele e o filho, que o esperavam pro jantar numa noite normal, não iam abrir a porta pra recebê-lo.
E que a mesma minha irmã que meu deu a notícia no telefone ia ter que contar para os filhos, meus sobrinhos, de 13 e 5 anos, que o tio não ia mais aparecer pra brincar. Nunca mais.

Não convém contar da tristeza de velório, enterro, de desesperos e interrogações na cara das pessoas.

Me lembro de quando era criança e morria algum político que minha mãe não gostava, ela soltava o versinho: morreu, morreu, antes ele do que eu.
Mas não era o caso. O caso era de não se conformar. Tanta gente ruim pra morrer, né? Por que?

Talvez porque Deus não esteja preocupado com a morte. Nós é que estamos. Deus, todo santo dia, tem que fazer algo renascer, pro mundo continuar. Tá aí meu pai, o aniversariante daquele dia, o aniversariante de amanhã, que renasce a cada consulta médica, a cada exame que samba na cara dele, dizendo que tá tudo bem.

Nesse ano de 2012, não comemoramos o aniversário do meu pai, nem o da minha mãe, uma semana depois, nem o aniversário de dois anos do meu filho, no mês seguinte.

Agora estamos em 2013, amanhã um ano vai ter se passado. Amanhã papai faz 77  e continua o mesmo doente imaginário.
É dia de celebrar a vida novamente.

É mais um dia de também tentar superar a perda, como foram os 365 dias anteriores. De tentar entender. De fazer uma prece pra Deus, nosso Senhor.

Porque a vida é assim. Uns vão, outros também irão. Todos irão. Diálogos serão interrompidos, passeios serão interrompidos, saudades que doem mais no coração de um e menos no de outro terão que ser absorvidas e quem tá aqui tem que continuar a viver.

Me lembrei agora, no finalzinho deste texto, que no dia seguinte ao enterro do Fábio, a Hebe morreu. A gente, ressaqueado, não de bebida, mas de morte, uma ressaca que dá bem mais do que dor de cabeça, assistiu pela tv todo aquele show da morte que as TVs adoram fazer.
A morte da Hebe, pra gente, era mais um programa de televisão, como ela fez por tantos anos e a partir daquele dia não ia fazer mais. Pra família e amigos dela, a mesma tristeza que a gente sentiu nos dois dias anteriores.
Para os outros, um ciclo que se fechava, porque todos os ciclos se fecham, até o da diva Hebe, até o do Fabio.
E a nós, só resta entender e aceitar.

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Esta foto está no meu facebook. Levi tinha 5 meses. Tem um comentário do Fabio na foto:
“Grande Levi !!
Garoto forte
Parabens ao casal pela linda criança
Obrigado pela foto e convite, estava td 10 !!
Bjs”

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E o último carnaval. A gente riu tanto neste dia. É isso que tem que ficar guardado. Depois do Fabio torrar a paciência do Sammy, meu sobrinho, com revolver de água na cara dele e outras tantas brincadeiras de carnaval que não se faz com um adolescente, ah, os adolescentes, Sammy se vingou. Falou:
– Tio, abre a boca.
O tio, na ingenuidade ou na falsa ingenuidade típica de um tio perante o sobrinho de 13 anos, pra cair na vingança, abriu. E levou uma mãozada cheia de confete goela abaixo. Tossiu e cuspiu confetes por uma meia hora. E foi engraçado. Pra gente, que estava lá, foi muito engraçado.

E a vida é feita disso, de momentos bons, momentos ruins, perdas e ganhos, tristezas e alegrias.

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E de novos ciclos, que se abrem e se fecham diariamente, na vida de todo mundo.

Um pouco depois do dia 27 de setembro de 2012, eu enviei esta música pra minha irmã. Não sei se ela gostou ou não. Mas foi uma forma de abraçá-la, do abraço do meu sofá chegar ao sofá dela.

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Bebê Herói

Tudo ao pé da letra?

Hoje eu li uma notícia contando que o canal Cartoon Network vai tirar do ar os desenhos do Tom & Jerry, porque eles incitam a violência e zzzzzzzzzzzzZzzz.
Pra ser bem sincera, eu não assisto Tom & Jerry há tantos anos que não lembro quem bate em quem, se o gato maltrata o rato ou se o rato maltrata o gato.

Outro dia apareceu um texto na minha frente dizendo que a letra de o Cravo e a Rosa havia sido substituída em algumas escolas infantis pela letra ZzzzzzzzZZZZZzzz, porque incitava a violência.
O Cravo saiu ferido e a Rosa despedaçada. Ou seja, uma pancadaria geral, estilão Datena, a mulher bateu no marido, o marido bateu na mulher. Chama a polícia.

No DVD da Galinha Pintadinha tem uma versão do Atirei o Pau no Gato, que é Não atire o pau no gato e ZzzzzzzzzzzzzZzzz.

( zzzzzzzzzZzzzzzzzz= dormi, meu deu preguiça de completar o raciocínio)

Ontem, na Folha, na coluna semanal da Rosely Sayão, ela escreveu sobre o castigo ou cantinho pra pensar, como alguns preferem chamar.
Admiro a Rosely, sei que ela estudou muito, que entende pacas do assunto, mas às vezes não consigo não compará-la a alguma tia solteirona, cheia de teorias sobre como educar um filho que não é dela. No fim, eu li tão desinteressada, que não entendi se o castigo, no fim, é bom ou ruim.

Uma amiga conta que tinha uma tia ou avó ou tia avó, que teve treze filhos. E ela passava tarde fazendo tricô. Quando um caia, se machucava, alguém levava pro hospital, que tinha conta e pagava tudo no fim do mês.
Que o marido colocava um de castigo, ia trabalhar, esquecia de tirar e o filho ficava lá, embaixo da escada até o anoitecer. Eram treze, impossível lembrar de tudo. Não sei se é lenda ou verdade, mas do jeito que me contam, era bem mais fácil criar treze do que um.

Ah, li também esta semana que a papinha industrializada tem mais açucar do que a que a gente faz em casa. Sério, cê jura?? E quem é a mãe que dá papinha industrializada todos os dias para o filho? Quem é essa louca?

E tem rato na coca-cola, bolor no leite, bicho no suco e o miojo é um veneno e nunca dê coca-cola pro seu filho, ou chocolate ou salgadinho, não coloque de castigo, ou coloque, sei lá, não entendi, não tenha treze filhos, a vida com filho é muito cara, não tenha um filho só, não deixe seu filho assistir Tom & Jerry.

Ou então, mais fácil, crie do seu jeito, faça aquela peneira no que interessa ou não. Eu duvido que Levi vá bater em algum gato porque conhece a música original. Duvido que quem bate em gato é porque viu Tom & Jerry quando criança e eu espero, do fundo do meu coração, que meu filho não seja um adulto politicamente correto. Que ele saiba, por conta própria, o que é bom e o que é ruim pra vida dele. Sem tantas interferências que zzZzz, me dão preguiça.

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Eu tô achando eles tão amiguinhos nesta imagem.

Do contra

Ontem à noite:

Eu abri a gaveta do banheiro pra pegar a tesourinha de unha do Levi. Às vezes a gente lembra que precisa cortar a unha do filho.

(Uma vez chegou um bilhetinho na agenda da escola dizendo: “mamãe, mantenha as unhas do Levi sempre curtas para não machucar os amiguinhos.”
Indireta que eu levo pra vida.)

Bom, voltando, peguei a tesourinha na gaveta.
– Mãe, posso ver o que tem na gaveta?
– Pode.
Que mal tem?

– Mãe, o que é isso?
– Lixa de unha.
– E isso?
– Carregador do celular.
– E isso?
– Tesourinha de ponta. Me dá isso aqui, que criança não pode mexer….
– E isso, mãe? E isso, isso, isso?
– Isso é um termômetro, que a gente coloca embaixo do braço quando está doente, filho.
– Mãe, eu tô doente.
– Ah, é mesmo? O que você tem, Levi?
– Tô com um arranha aqui no braço, ó. Preciso disso, mãe, deste remédio.
– Não, Levi, isto não é remédio, isto é pra gente colocar embaixo do braço quando tá dodói, pra saber se precisa tomar remédio.
– Eu quero, mãe.
Um minuto depois, porque a criança não precisa saber, no momento, dentro do banheiro apertado, que precisa de três minutos pro termômetro funcionar: “olha, filho, você está ótimo. Não tá doente, podemos guardar o termômetro e ir cortar as unhas?”
– Mas, mãe, e o meu arranha no braço, não é doença? Eu tenho que tomar um remédio pra sarar o arranha.

Hoje pela manhã:

– Mãe, eu não tô crescendo, eu não tô grande, eu tô pequeno.
– Claro que você está crescendo, filho. Você tá grande.
– Mãe, eu preciso tomar remédio pra crescer.
– Não, Levi, você, pra crescer, precisa comer.
– Não, mãe, eu preciso tomar remédio. Se eu não tomar remédio, eu vou ficar pequeno.
– Levi, de onde você tirou esta ideia? Quem te falou isto?

Semana passada:

– Levi, abre a boca pra tomar o antibiótico.
– Não abro.
– Filho, por favor, tem que tomar.
– Não quero, não vou tomar.
– Levi, abre a porra dessa boca, agora.
– Não.

Não abriu, se jogou no chão, cobriu a boca com as mãos, eu tentei, ele cuspiu, eu entrei no banheiro, chorei, pensei na porcaria de mãe que eu era, que nem conseguir dar remédio pro meu filho eu conseguia, desisti, mandei pra escola sem a dose obrigatória do antibiótico, seja o que Deus quiser e ficou sem o remédio da manhã.

Por que as crianças são tão DO CONTRA?
E Biotônico, é remédio pra crescer?
Dúvidas de mãe.

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