Carta aos meus porteiros e meu vizinho. E ao Levi.

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Queridos porteiros, como eu moro no segundo andar, sei que vocês escutam tudo que acontece no meu apartamento. Eu sei porque também escuto tudo que acontece aí embaixo. Sei que vocês fazem fofoca dos moradores, que puxam o saco da síndica, que falam mal do zelador. 

E sei que hoje pela manhã vocês ouviram os gritos do Levi aqui em cima. Vocês já ouviram os gritos do Levi várias vezes e os meus também. Então, deixa eu contar:

Levi acordou de ovo virado. Isso é raro, mas acontece. Não queria tirar a fralda, nem fazer xixi, nem escovar os dentes. Eu fui passar café e larguei ele sozinho no quarto. Ele começou a gritar ” você não vai tomar cafééééé, café é ruim”. Repetiu isso umas 200 vezes e como eu estava na cozinha e não respondi porque não vou dar abertura pra pirralho, os gritos eram cada vez mais altos, fortes e chorosos. 

Passei meu café, perguntei se agora ele queria tirar a fralda, fazer xixi e escovar os dentes e novamente ele gritou nããããããããão. Fui tomar meu café na sala. Não satisfeito, ele gritou mais alto ainda ” mããããããe, vem aqui no meu quarto”. A esta altura eu não sabia se já tinha tomado meus remédios da manhã, três no total, pra manter a sanidade e controlar a minha síndrome do pânico, tripolaridade, depressão e afins mentais. 

Fui pro quarto com aquela autoridade nula que eu tenho. E ele topou ir ao banheiro. Ok, missão 1 cumprida.

Agora vamos a roupa. Na escola não tem uniforme, mas aqui tem roupa pra ir pra escola e roupa pra sair. Peguei uma calça cinza, ele gritou nãããããão. Peguei a branca, a azul marinho e ele continuou gritando que não queria nenhuma das três. Aí você deve estar falando: que idiota, criança não tem escolha, ela fez besteira quando deu três opções. Criança é manipuladora…. E essa mãe, uma frouxa.

Pois eu fiz a a mesma coisa com as blusas: três opções. Esse menino, que acordou mesmo com o ovo virado, continuou gritando porque queria colocar uma blusa que usa pra passear e que ele está cansado de saber que não vai pra escola com ela. Resumindo, queria confusão.
Eu devo ter tomado os remédios, porque não me alterei, não gritei, não fiz nada. Sentei no sofá da sala e abri o facebook, tomei mais um gole da café e acendi um cigarro. E ele gritava, gritava, gritava. E chorava. De cair lágrima. 

Sem saber como reagir, perguntei se ele fazia isso com o pai. E a resposta foi “não”, claro. A palavra “desafiar” vem sempre somente acompanhada de “a mãe”. 

Por fim, quarenta minutos depois ele se vestiu, colocou o tênis e saímos.

O que eu quero dizer, queridos porteiros, é que eu tenho certeza que você pensam que eu espanco meu filho, mas isso não é verdade. Ele grita porque quer provocar, me testar, saber até onde vai minha paciência. Às vezes ela, minha paciência, está do tamanho de uma bola de basquete, mas às vezes está do tamanho de uma azeitona, e nestas horas, eu grito de volta. Mas é só isso, tá, Chiquinho, Edvado, Zé Roberto? Não precisam se preocupar. Aqui no apto 21 não tem uma mãe espancadora de criança. Não chamem o conselho tutelar. 

Vocês já viram criança dar chilique no mercado, no shopping e a mãe querer abrir um buraco no chão e se enfiar dentro, por conta dos olhares reprovadores dos que estão por perto? Então, aqui foi mais ou menos isso que aconteceu hoje cedo, mas dentro de casa. 

Querido vizinho, que não sei o nome, porque vejo mais as revistas e jornais que se acumulam na sua porta do que a sua cara, isso serve pra você também. Não chame o conselho tutelar, não bata na minha porta pra saber o que está acontecendo, porque te garanto e juro que é chilique de criança.

Grata,

Juliana

*

Querido filho,

Você, com a graça de Deus, foi abençoado com o botão da ” boazisse”, palavra que eu acabei de inventar, pra dizer que você é um menino bonzinho. Você, tirando uma vez ou outra, nunca me deu trabalho. Você é tudo dentro da normalidade. Arteiro dentro do normal, travesso dentro do normal, bagunceiro dentro do normal, tudo dentro do normal. Você nunca mordeu ou bateu num amiguinho da escola, você é simpático, gracioso, educado. Amém. 

Mas tem dias que vou te contar, você acaba comigo. Hoje eu cheguei a pegar o celular pra filmar sua birra e mostrar pro seu pai, para que ele acredite quando eu conto, mas você me irritou tanto, que eu não consegui achar a função filmadora. E sabe o que você me respondeu?
– Mãe, você me filmou? Que legal. Deixa eu ver meu choro? 

Você é safado, Levi. Você me dobra. Ao contrário do poema de Vinícius,

de repente, do pranto fez-se o riso…. do vento fez-se a calma.

E você, finalmente, me obedeceu e foi pra escola. Com uma hora de atraso.

E agora eu estou aqui pensando nas mães que são generais, que tem uma super autoridade, nas mães que falam uma vez e o filho abaixa a cabeça e obedece. Pensando se isso existe mesmo ou se é só mais um conto infantil pra arrasar com mães permissivas como eu. 

Boa aula, filho. Na volta conversamos.

Beijos, te amo, 

sua mãe. 

 

 

 

 

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O teste da esponja mágica

Outro dia eu postei no facebook ( curte lá!!) uma esponja da 3M que chama Esponja Mágica. Mágica porque ele tira a sujeira da parede sem manchar. E pra quem tem criança em casa, é um item que não pode faltar na lista do mercado.

Ontem, enquanto Levi gritava lá do quarto “mãããããe, quero mais tetê”, ele ficou chacoalhando a mamadeira. Resultado: parede toda respingada de leite com achocolatado.

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(Foto tirada com o celular. Os pontos manchados são os respingos de mamadeira.)

Acho que sairia com algum outro produto de limpeza ou um paninho úmido, mas eu amo a esponja mágica e lá fomos nós duas para o quarto.

Saiu tudo.

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Parede nova, limpa e esponja mais uma vez aprovada!!

Fica a dica!

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Meu filho não come, meu filho não dorme

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Este post é dedicado a Mari, uma amiga que, assim como eu, teve um bebê que veio com o combo “Não come e não dorme”.

Vou falar primeiro de uma bênção que Deus dá somente àquelas que são mães, que é  o poder de abstrair e esquecer a parte chata da maternidade. Se você me perguntar, por exemplo, como eu conseguia viver em blocos de 3 horas quando amamentava, não lembro, só sei que sobrevivi e tô aqui, ainda com sono depois de três anos. Mas tô.

Agora vamos ao que interessa: a boca fechada e os zóiões abertos do filho até uma da manhã. Ai, como isso cansa.

Vou passar rápido pelo tema comida porque também fui abençoada neste quesito de abstrair. Me lembro que Levi, entre um ano e pouco e dois e pouco, passava dias sem colocar um sólido na boca. Era suco, leite, leite, suco. Eu já me descabelei,  já quis tacar o prato na parede, já gastei com vitamina, já chorei pro pediatra e nada. Ele não queria comer e não comia. Simples assim. De repente começou a comer melhor. Foi um processo tipo aprender a andar. No começo não sabia, depois foi aprendendo e depois viu que precisava. Hoje ele como quando está a fim. Geralmente almoça e lancha na escola, o que facilita bem. O que os olhos não veem, o coração não sente. Às vezes janta, às vezes não, e eu simplesmente desencanei. Tá com saúde, tá forte, tá beleza.

Agora vamos a parte sono. Eu estudei a tarde enquanto pude. Só fui pra aula de manhã no colegial. A faculdade eu fiz à noite. Isso tem um motivo: antes das oito, pra mim, é madrugada. Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim….

Levi nasceu às 7:45 da manhã. Eu cheguei na maternidade umas cinco, ainda escuro. Uns diziam que ele a cara do pai, outros diziam que era a cara da mãe, mas em uma coisa ele me puxou, não é matutino. Quando ele era bebêzinho acordava lá pelas dez da manhã, quando todos os outros bebês já tinham ido passear e já estavam quase almoçando.

A coisa foi indo, foi bom no começo, foi ótimo por um tempo, mas desandou de vez quando eu vi que não sobrava nada pra mim à noite, nem um tempinho pra tirar o esmalte da unha ou ver um programa sem a voz de uma criança interferindo. Fora isso, eu estava exausta.

ImagemAí começaram as tentativas de alterar o relógio biológico do guri. Eu tentei de tudo que você pode imaginar, mas nada funcionada. O garotinho chegava da escola e dormia sentado no sofá, exausto. O resultado é que acordava cheio de gás e assim ficava até depois da Cinderela virar a abóbora.

Outro dia, na minha terapia, eu falei “acho que sou uma mãe muito permissiva”. A terapeuta devolveu com outra pergunta: “Você acha?” E eu disse que não achava, que tinha certeza que era. E caiu a ficha com relação ao sono. Uma criança não pode dormir na hora que quer, viu Juliana? Chega desta palhaçada, garota! Você é a mãe, você decide. Vá educar seu filho, criar rotina pra esse menino!

Eu contei neste post que a primeira providência foi tirar a tv do quarto. Tirar não, desligar. Menti, disse que estava quebrada, mas depois contei uma meia verdade, que a tv só vai funcionar no final de semana. Que ele não vai dormir mais assistindo desenho. Ele chora, mas aceita. E dorme bem mais rápido.

A segunda coisa que fiz foi me desdobrar em mil para que ele não durma depois da aula. Se precisar, dou piruetas, duplo twist carpado, imito leão, espalho todos os carrinhos pelo chão, faço qualquer negócio que mantenha os olhos do Levi abertos.

E está sendo mais fácil do que eu imaginava. Dá umas 8, no máximo 9, ele pede a mamadeira e vai dormir.

Mari, pra concluir, ele dorme porque sente sono, porque está cansado, porque não fica mais assistindo desenho depois das 8 da noite e porque só dorme à noite. Dormir depois da aula acabou. Fizemos um trato: até às 8 ele pode ver desenho na sala, depois a tv é minha e do pai. Ele chora, aquele choro sem uma lágrima, mas é assim e estamos conversados

Eu achei que seria um desafio dificílimo, mas não está sendo. Por ser uma mãe permissiva, jamais conseguiria me transformar num general. No final de semana pode dormir a tarde. Eu, inclusive, muitas vezes, imploro para que ele durma, para eu dormir também. Uma sonequinha numa tarde de sábado é um dos meus maiores prazeres.

E assim nós vamos seguindo. Terão outros desafios pela frente, mas a ficha já caiu. Só resta saber como eu vou me sair nestes novos desafios, porque a mãe tem que educar, não tem outro jeito.

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A família do cabelo “ruim” ataca Walcyr Carrasco

Acho que a maioria que lê meu blog me conhece, mas se você não me conhece, vou me apresentar brevemente: Juliana Nunes, branca, paulistana, cabelo liso graças a tecnologia japonesa, casada com Matheus, negro, baiano, cabelo rastafari mais comprido que o meu, mãe de Levi, que completará 3 anos no próximo sábado, branco, de cabelo cacheado, cortado uma única vez na vida. 

Esta minúscula biografia autorizada é para fazer um desabafo: cansei da novela das nove, do Walcyr Carrasco e de tanta ignorância.

Sabe o que é cabelo rastafari? É aquele cabelo dread lock, que personagem do Juliano Cazarré usava, mas cortou porque a filha dele falou algo do tipo:
– Que nojo deste cabelo, pai, é sujo, deve ter piolho, corta isso, écati.

Este texto saiu pela voz da menina, mas foi escrito pelo autor. O mesmo que chama a gorda de gorda em todos os capítulos.

Foi lá o riponga cortar o cabelo. Agora está de acordo com a sociedade. Mas talvez não escape dos piolhos, que não escolhem cor, nem tipo, só querem um couro cabeludo gostosinho pra morar. Talvez ele também não escape da sujeira do cabelo, porque limpeza e higiene também não depende de cor e nem de tipo da cabeleira. O ser humano lava o cabelo ou não, sendo ele loiro, castanho, curto, comprido, rastafari, crespo ou liso. Isso vai de cada um. 

Pois bem, eu, fiel a minha amada Carminha, já andava com o saco cheio desta novela sem pé nem cabeça, sem um vilão de verdade, que honra suas maldades como a personagem de Adriana Esteves. Nem tenho assistido.

Mas aí, este fim-de-semana surgiu uma nova polêmica. O personagem gay conseguiu adotar uma criança. Na velocidade de um cometa, é verdade, mas adotou. E o autor pendurou a melancia no pescoço e foi para a frente dos holofotes de novo dizer que vai dar uma geral no garoto, uma repaginada.
“Eu pedi para mudar o visual do garoto porque ele foi adotado. Isso corresponde ao sonho do público. O público reclama que uma criança adotada não ganhe um novo visual e de fato não tem sentido manter Jayminho com a aparência igual a que tinha no orfanato. Se uma criança num orfanato é adotada, se espera que ela ganhe brinquedos, roupas legais, cabeleireiro, enfim, um novo visual que corresponda ao fato de estar sendo criado em outra condição social”.

E aí eu te pergunto, Walcyr, quem é este público? Eu não sou. 

Walcyr, desculpe, mas vou discordar de você. Uma criança adotada precisa de amor, carinho, escola, comida, passeio. Precisa, sim, também, de brinquedo, de roupa nova, de um trato no visú, mas isso não significa cortar ou alisar o cabelo, que é o que deve estar no seu script. 

“Tinha sentido o Niko adotar o menino e deixar com as mesmas roupas e cabelo?” disse Walcyr em entrevista a Folha.

Este é o Jayminho:
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Olha, Walcyr, minha sugestão é que com tantas coisas sem sentido na sua novela e com um público que não aceita que um menino negro tenha cabelo de negro, o ideal seria você escrever FIM ao final do capítulo de hoje. 

Meninos e seus carrinhos… e suas mães

Eu sempre achei que seria mãe de menino. Nos meus sonhos, meu filho era sempre um menino.
Talvez por não ser muito chegada a frufrus, maquiagens, salões de cabeleireiros, frescurinhas de menina, apesar de ser uma apaixonada por Barbies, o fato é que há muito tempo, desde o século passado que o rosa não faz parte da minha vida. Nem o lilás, nem o amarelinho. Nunca me imaginei pintando uma parede de criança de rosa.

Se viesse menina, claro que eu ia amar. O importante é vir com saúde…

Com doze semanas de gravidez, o médico, fazendo meu ultrassom, falou:
– Não vai sair comprando nada azul antes das dezesseis semanas, mas acho que esse tracinho é um pipi. Tá vendo este tracinho aqui?
Opa, claro que eu estava vendo. Matheus estava comigo e também conseguiu ver o tracinho.

Com dezesseis semanas, eu confirmei que na minha barriga tinha um garoto. Matheus, que estava internado, na hora da visita, na UTI, ele lá, todo morto vivo, entubado, sedado, recebeu a notícia. Ele apertou minha mão, querendo dizer, yeeeeeah!

Bom, enfim, o que eu quero contar é que nunca imaginei que o universo masculino fosse tão amplo. Além de aprender a lavar pipi, entre outas coisas, você tem que passar a conhecer carrinhos. São muitos, e eles se espalham pela sala, pelo quarto, pela cozinha, pelo banheiro. São Hot Wheels. Certeza que se reproduzem na madrugada.

Você tem filhos? Tem menina? Então deixa eu explicar: Hot Wheels é um universo paralelo. E você só percebe isso quando se dá conta que passou meia hora escolhendo entre um Chevrolet SS, um Toyota 2000 GT, um Ford Falcon, um Subaro WRX STI…..

De entendedora de Barbies você passa a ser uma apaixonada por carros.

– Filho, este Dodge Daytona você já tem, escolhe o Porsche Carrera GT.

E aí a loucura chega num ponto, que você arrisca bater o carro, atropelar um motoboy, levar uma multa por exceder o limite de velocidade, só pra fotografar, na 23 de maio, um Lincoln com a câmera do celular. Só pra mostrar pro seu filho que você viu um Hot wheels gigante, gigantão, na rua!

A vida de menino não é tão simples assim. Não tem roupa de oncinha, tiara, brinquinho, lacinho, mas tem carrinho. E carrão!

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Minha homenagem a Vinicius de Moraes

Quando a gente era criança, fazíamos muitas viagens de carro. Mamãe, papai, Fê, Mari e eu.
A mais velha gritava: janelaaa. A mais nova gritava: janelaaaa. E eu, a do meio, mefú, sobrava no meio. Sorte a minha que ia enxergando a estrada, os caminhos. E o rádio.

Papai é daqueles que acham que o rock e a FM surgiram pra acabar com o mundo, então colocava no toca-discos, Chico, Gil, Vinícius, Toquinho, Orlando Silva. Sim, Orlando Silva….

E não tinha reivindicação que funcionasse. Pai, poxa, coloca Balão Mágico. Que Balão Mágico o que? Quer ouvir música boa, então vai ouvir estes gênios da música.

E assim íamos, o caminho todo ao som de Chega de Saudade, Regra três, Aquele abraço, Apesar de você. A verdade é que fomos obrigadas a gostar, meio que por inércia, porque não tinha outro jeito.

Então tivemos a grande descoberta da vida: Arca de Noé 1 e 2. Quer dizer, eu tive. Minhas irmãs eu não sei.

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A Foca, o Pato, a Casa, a Porta, o Vento, o Peru, o Porquinho, o PInguim….. Um novo universo se abriu. Não é que Vinícius fazia música pra criança também?

A gente não entendia lhufas do que queria dizer:
Tristeza não tem fim, felicidade sim…
Mas sabíamos muitíssimo bem o que era uma casa muito engraçada que não tinha teto, não tinha nada….

Vinícius tinha seu grande companheiro além do whisky. Era Toquinho. E me lembro que com uns 8, 10 anos pedi que meu pai me levasse num show do Toquinho. Com 11 pedi o show do Menudo, com 12, RPM, mas isso é outra história.
Ia tocar Aquarela, eu tinha que ouvir. E fomos. O grande parceiro de Vinícius fez uma das músicas que mais amo até hoje.

Obrigada, pai, obrigada, mãe, por terem dado pra gente a oportunidade de conhecer o Poetinha desde criança e através dele conhecer um pouco da história do Brasil recente. Tocava uma música e eles explicavam que ela tinha sido feita por causa disso, daquilo, daquela mulher, da história tal, falavam de ditadura.

E assim a gente cresceu, ao som da boa música brasileira que contava histórias. Chico Buarque, esplêndido, Gil, delícia de ouvir, Toquinho, um ídolo, e Vinícius, o que tinha cara de vovô, passava as tardes em Itapuã, admirador das lindas mulheres.

Vinícius era, além de tudo, um guia de ruas do Rio de Janeiro, a cidade que mais amo no mundo. Rua Nascimento Silva 107, Moça do corpo dourado do sol de Ipanema…. Freud explicaria se minha paixão pelo Rio tem a ver com as músicas de Vinícius, que meus pais colocavam no toca-discos?

Vinícius morreu quando eu tinha cinco anos. Hoje ele faria 100 anos, mas bem que podia viver uns 200.

Desconfio que no meio daquelas histórias de mulheres, casamentos, beleza é fundamental, bebidas e boemia, existia uma criança escondida. Porque só isso explica um gênio escrever uma música tão simples, para a criançada cantar. Imagem

E Levi, se prepara, porque acho que herdei dos seus avôs o gosto pela música boa. Você pode ouvir Galinha Pintadinha, mas tem que ouvir também o pato pateta, pintou o caneco, surrou a galinha, bateu no marreco, pulou no poleiro, no pé do cavalo, levou um coice, criou um galo….

Os livros chegaram!!

Os livrinhos que eu pedi, da Ação Itaú Criança acabaram de chegar aqui em casa. Este ano foram dois livros:
E o dente ainda doía
O mundo inteiro

Ainda não deu tempo de ler, mas os livros dos anos anteriores são ótimos. Estes também devem ser. 

Se você ainda não pediu o seu, é só acessar o site e preencher o formulário.

https://www.itau.com.br/itaucrianca/

Ler é sempre bom. Ler para uma criança é melhor ainda!

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