Tatuagem

Citar

– Levi, vamos limpar estas tatuagens de caneta que seu pai fez em você, porque não pode ir pra escola de tatuagem.
– Não pode, né, mãe?
– Não, a professora não deixa e outra, ela vai achar que você tá sujo e não toma banho.
– Mãe, mas tatuagem não é sujeira, é desenho. Meu pé tá sujo, olha aqui, isso é sujeira, tatuagem não é. Viu, mãe?

Posts mais lidos do blog

Eu fiquei um tempo sem escrever e a listinha dos posts mais lidos do blog, que ficava ali do lado, sumiu.
Então, aqui vai, pra quem tá chegando agora ou quer reler:

Superação

O banho que eu não dava

Porque Levi. Com i.

Bebê Herói.

A maternidade e o overthinking nos dias de hoje

Perdas e ganhos

Quero terceirizar meu filho!

Desde que me tornei mãe, passei a ler e me envolver com aquele velho e conhecido tema: a terceirização dos filhos.
Você não tem filho ou nunca ouviu falar em terceirizar uma criança? É assim: você tem um bebê e depois contrata um batalhão para educar, dar banho, levar no pediatra, na pracinha, na reunião da escola, na festinha, colocar pra dormir, checar se está na hora do remédio, acordar de madrugada pra ver se está respirando.
Resumindo, terceirizar é isso: você ter mil coisas mais importantes pra fazer e não ter tempo de cuidar do seu pimpolho, aquele serzinho que passou nove meses hospedado na sua barriga.

Pois agora, três anos depois, chegou a minha vez de entrar nesta panelinha vip: eu quero terceirizar meu filho!

Sim, quero! Quero uma babá pra dar o almoço e o jantar pro Levi. Ou melhor, uma babá cozinheira, que faça a comida e depois execute a função. Uma babá cozinheira governanta alemã.
Quero terceirizar a sagrada hora das refeições.
Tem que ser tipo uma babá Free lancer, que vem, volta e depois vem de novo, à noite. Alguém com a paciência que me falta nestes momentos.
Do resto eu cuido, mas quero outra pessoa pra fazer comida, depois colocar o prato na mesa e ouvir “não quero, não tô com fome, não gostei, ontem eu gostava mas hoje não gosto mais, peraí, vou tomar o suco primeiro, olha o que eu sei fazer com a cadeira, hmmm, tô com dor de barriga, não posso almoçar, ô manhê!”

Não precisa forçar meu filho a comer brócolis, pode dar batata frita de vez em quando, eu não ligo. Só quero estar fora de casa entre onze e uma da tarde e entre seis e oito da noite.
E por favor, não me venham com aquelas dicas de fazer sanduiche com cara de ursinho, omelete com corpo de girafa, arroz com dois olhinhos e uma boca, porque nada disso convence.

Pronto, confessei, se alguém tiver candidatas, entre em contato.

Imagem

imagem meramente ilustrativa. Levi é bem pior que esse bebê.

Uma breve história de amor

No começo deste ano, Levi ganhou o que talvez seja o maior presente da vida dele. Não é um gato nem um cachorro. Aliás, tô devendo a história do dia que eu tive a genial ideia de dar um cachorro pro meu filho. Depois conto. É uma história que afundou igual submarino atacado pelo inimigo na batalha naval.

Levi ganhou um presente de 1,64m, que calça 42 e já carrega 10 anos de experiência, um irmão! Eu não engravidei, não pari e não adotei. Tecnologia, feitiçaria, cegonha? Não. O irmão dele por parte de pai veio morar conosco.

Eu nunca quis outro filho. Isso é certo como dois mais dois na minha cabeça. É aquele papo: se vier, ótimo, mas não vou planejar engravidar de novo. Sou realizada com um filho só e os argumentos de que é bom para a criança ter um irmão porque blablablá nunca fizeram nem cosquinha na minha convicção.

Aí, eis que pousa um avião e lá de dentro sai o irmão, uma criança que eu conheço desde que tinha quatro anos e gosto desde o primeiro dia em que vi. Como eu moro em São Paulo e ele em Salvador, tivemos pouca convivência nestes sete anos, mas sabe empatia? Então.

E pronto. A nossa vida mudou. Uma criança de dez anos trouxe na mala alguma poção mágica que fez meu coração abrir mais espaço para o amor. Eu, boba, achava que meu coração já estava todo preenchido com o amor que sinto pelo Levi. Mas ali ainda tinha espaço. Talvez a gente tenha uma bombinha tipo um calibrador de pneus dentro do peito. Enche mais, moço. Mais um pouco.  Pode encher que não vai explodir, não.

– Levi, eu te amo. O amor que sinto por você será sempre o maior de todos. Eu te amo mais que Chicabom, mais do que aqueles chocolates que eu como escondida pra não ter que dividir com ninguém, mais que tudo. Mas um pedaço do meu coração tem um novo dono. O seu espaço está garantido pra sempre. Mamãe só quer te dizer que o coração dela deu uma inchada.
E não é por nada, não, mas no seu peito  também tem bombinha de calibrar pneu, viu? Porque nunca vi alguém tão apaixonado por outra pessoa como você.

Obrigada, destino, por ter traçado este caminho nas nossas vidas.

Imagem

Onde guardar os brinquedos

Outro dia publiquei no facebook algumas ideias para organizar a bagunça do quarto das crianças. Mas nem todas as fotos foram para lá. Separei algumas para o blog.

Eu sou louca por aqueles cestos coloridos de plástico. Tenho pra brinquedo, roupa suja, pra gelar cerveja. Eles são super funcionais. Até pra misturar tinta uma vez que resolvi pintar a parede do quarto, o cesto foi útil.

Mas você pode usar baldes, sacolas e até a boa e velha sapateira que vende na feira livre:

ImagemImagem

Imagem

ImagemImagemImagem

original_toy-bagImagem

fonte: pinterest

Pequenos artistas

O que fazer com aquele tanto de trabalho que seu filho fez na escola ou em casa, no tempo livre? Guardar numa pasta?

Que tal expor as artes  e transformar sua casa num maravilhoso museu?

1. Com fitas coloridas ( vi umas super fofas outro dia na kalunga) você faz as molduras e pode até usar um cavalete pra dar um ar mais de artista para as obras do filho.

Imagem

 2. Usar molduras de verdade, uma opção mais cara, mas pra quem gosta de tudo uniforme, é perfeita.

Imagem

 3. Fazer uma parede quadriculada usando ripas de madeira ou até fitas de cetim.

Imagem

 4. Pranchetas. Sem segredo.

Imagem

fonte: pinterest

Feliz Dia da Mulher pra você que é homem e tem três anos

Levi, eu te educo para que, no futuro, você seja um homem de bem, do bem. Não pretendo que você seja o Presidente dos Estados Unidos, o Prêmio Nobel.
Como já disse mil vezes, o que eu quero é que você seja ” o cara gente fina”, amado e que tenha amigos e pessoas queridas por perto, por mérito seu, por aquilo que você carrega no coração e não no bolso ou no diploma na parede. Se o bolso estiver cheio e a parede também, opa, que bom. E saúde, ah, saúde, quero você sempre colada no Levi.

Mas, então, este post tem um lado triste. É baseado na notícia que li esta semana sobre o pai que bateu tanto no filho, que ele morreu com o fígado dilacerado e o corpo devastado por pancadas.
Este pai matou o filho porque ele lavava a louça, dançava, não queria cortar os cabelos. Nas palavras do pai, era muito mulherzinha e precisava de uns corretivos.

O caso pode ser lido aqui. Eu não tenho estômago pra contar os detalhes.

Levi, você vai crescer, vai ter sua família, seus filhos, ou não terá filhos nem formará uma família, não sei como será seu futuro, mas eu tenho certeza, e pra isso eu não preciso ter bola de cristal, que você será o cara que lava louça, que coloca a roupa na máquina, que arruma a cama, faz o almoço, que vai vestir camisa rosa se a camisa rosa te cair bem.

Você não será o homem que liga toda hora pra mamãe aqui, que já vai estar velhinha, pedindo ajuda para as tarefas domésticas. Por favor, filho, mesmo velhinha, eu vou estar pronta pra te ajudar, mas se você me ligar pra perguntar como lava uma cueca, vai ouvir uns gritos do outro lado da linha.

Hoje você tem três anos, uma vassourinha e uma pá de lixo, pequenos como você, de mentirinha, e um paninho de tirar pó dos móveis, não porque eu quis, mas porque você quis e pediu. E eu dei. Até um tempo atrás, você corria pro quarto quando eu ligava o aspirador, com os olhos assustados e as mãos nos ouvidos. Agora você pede pra passar o aspirador, acha divertido. Eu deixo, mas te ajudo, porque você é criança e não sabe usar direito este brinquedo pesado e barulhento.

Você tem um pai de cabelos compridos, mais compridos que o meu, um pai baiano, que nasceu com o gingado pra dança, que se precisar ele desce até a boquinha da garrafa. Não, mentira, até a boquinha da garrafa ele não vai querer ir. Tem um pai que lava a louça, porque sua mãe detesta lavar louça, que lava o banheiro, que tira o lixo, porque sua mãe tem vontade de vomitar se tiver que tirar o lixo. E seu pai tem também a incumbência de lavar suas próprias cuecas.

Filho, eu não sei quantos anos você vai ter quando ler este blog. Pode ser que tenha oito, pode ser que tenha vinte, trinta. Então vou ser bem simples no ensinamento que quero te passar agora, depois que chorei ao ler sobre a história do menininho que morreu porque fazia “tarefas de mulherzinha”:

– Seja homem. Sabe o que é ser homem? É como ser mulher, é a mesma coisa. Seja um ser humano que não divide o mundo entre o que é coisa de mulher e coisa de homem. Se quiser brincar com a boneca da sua prima, brinque. Troque a fralda, dê mamadeira, coloque pra dormir, dê banho. Se quiser brincar com panelinhas, brinque, faça comidinhas, cafezinho, ofereça pra vovó.
E abra o dicionário pra saber o que significa a palavra hombridade. Uma dica: ela não tem nada a ver com masculinidade e, sim, com dignidade.

Feliz Dia da Mulher.
8 de março de 2014.
Um beijo,
sua mãe.

61857_10151305275713251_1577326432_n